A produção de etanol de milho deve atingir 30% de toda a oferta de
etanol no Centro-Sul na safra 2026/27, chegando a 10,6 bilhões de litros, de
acordo com relatório da Czarnikow. O volume representa crescimento de 14%
em relação ao ciclo anterior e consolida o avanço do biocombustível
impulsionado pela forte oferta de milho e pela expansão de usinas dedicadas
principalmente no Centro-Oeste. Segundo a consultoria, a competitividade de
custo tem sido o principal motor desse crescimento. O Brasil é o terceiro
maior produtor global de milho, o que garante ampla disponibilidade da
matéria-prima, especialmente do milho segunda safra. Hoje, uma tonelada de
milho rende entre 420 e 460 litros de etanol.
A Czarnikow calcula que o custo médio de produção de etanol de milho
fique em R$ 1,85 por litro, bem abaixo dos R$ 2,45 por litro observados nas
usinas de cana. A vantagem aumenta com a venda dos coprodutos DDG,
usado na nutrição animal, e óleo vegetal, que ajudam a reduzir o custo
efetivo. De cada tonelada de milho processada, surgem entre 260 e 300 kg de
DDG e entre 15 e 20 kg de óleo. Apesar da competitividade, o setor enfrenta
um alerta: a dependência de biomassa, principalmente cavaco de madeira,
para geração de vapor, pondera a Czarnikow. Com o avanço da capacidade
instalada, a oferta desse insumo começa a preocupar. Algumas usinas testam
alternativas, como resíduos animais, mas a eficiência ainda é considerada
insuficiente. O avanço do etanol de milho no Brasil está concentrado no
Centro-Oeste, que responde por 60% da produção nacional de milho segunda
safra. Das 22 usinas em operação, 20 estão em Mato Grosso, Mato Grosso do
Sul e Goiás. São 13 totalmente dedicadas ao milho e nove do tipo flex, que
operam com milho e cana. Outras 31 unidades foram anunciadas entre o fim
de 2024 e 2025, com potencial para adicionar mais 10 bilhões de litros ao
mercado brasileiro.
Fonte: Estadão, Angelo Ikeda
Fonte: Estadão