As maiores compras de soja dos EUA pela China em mais de dois anos —
quase 1,6 milhão de toneladas em três dias — podem marcar o início de um
novo ciclo de compras chinesas após meses de retração devido à guerra
comercial. Mesmo que o volume final fique abaixo dos 12 milhões de
toneladas, essas compras já elevaram significativamente os preços da soja
nos EUA.
A alta nos preços levou muitos agricultores americanos a vender parte
de sua safra, mas quem vendeu antes do anúncio chinês não aproveitou a
valorização. O aumento dos preços também tornou a soja dos EUA não
competitiva para outros importadores, enquanto a China enfrenta o desafio
de liberar espaço em seus estoques após grandes compras no Brasil. Analistas
duvidam que a China consiga comprar os 12 milhões de toneladas até o fim
do ano. Os futuros da soja atingiram o nível mais alto desde junho de 2024,
enquanto o prêmio sobre o Brasil ultrapassou US$ 0,50 por bushel. Traders
chineses haviam comprado contratos futuros antes do anúncio e agora estão
liquidando posições, o que ajudou a pressionar os preços para baixo
novamente. Dados oficiais sobre posições de mercado estão atrasados devido
ao shutdown do governo dos EUA.
Os agricultores aceleraram as vendas da safra de 2025, vendendo entre
30% e 40% da produção, embora alguns ainda esperem pagamentos de
auxílio governamental. Muitos venderam abaixo do custo de produção por
necessidade de fluxo de caixa. Na planta da ADM (Archer-Daniels-Midland)
em Decatur, Illinois, o preço à vista da soja ficou em US$ 11,23 por bushel,
próximo ou acima do custo médio de produção da região.
Fonte: Reuters