O mercado de milho apresentou recuperação tanto no Brasil quanto no
exterior ao longo de outubro, aponta o relatório mensal do Itaú BBA,
divulgado nesta terça-feira (18). Na Bolsa de Chicago (CBOT), o cereal
registrou duas altas consecutivas, acompanhando o avanço da soja,
enquanto no mercado doméstico os preços seguiram firmes, impulsionados
pela demanda consistente e pelo ritmo mais lento de vendas por parte dos
produtores. Segundo o banco, outubro marcou o segundo mês seguido de
valorização na CBOT, com o milho atingindo US$ 4,21/bushel, alta de 2,2%.
O movimento foi reforçado pela forte demanda internacional e pela ausência
temporária de dados do USDA devido à paralisação do governo americano.
Já na primeira quinzena de novembro, a tendência de alta continuou, com o
milho avançando 2,7% e chegando a US$ 4,33/bushel, novamente
acompanhado pela soja.
No relatório de novembro, o USDA revisou para cima os estoques, as
exportações e os estoques finais dos EUA para a temporada 2025/26. A
produção foi ligeiramente reduzida, de 427,1 milhões para 425,5 milhões de
toneladas, refletindo queda de 0,3% na produtividade, agora estimada em
11,68 t/ha. Para o Brasil, o USDA elevou a projeção da safra 2024/25 para
136 milhões de toneladas, ainda abaixo do consenso de mercado. No Brasil,
os preços internos também subiram. Em Sorriso (MT), a valorização mensal
foi de 4%, com a saca negociada a R$ 48,40. Em novembro, as cotações
permaneceram estáveis ou com leve alta, dependendo da região. De acordo
com o Itaú BBA, mesmo após uma safra volumosa, a boa demanda interna e
o ritmo controlado de comercialização seguem dando sustentação às
cotações. O banco também destacou o andamento do plantio da soja
2025/26, que avança em boa janela no Paraná e em partes do Mato Grosso,
enquanto Goiás e Minas Gerais tentam recompor atrasos.
Fonte: Estadão, Angelo Ikeda
Fonte: Estadão
Já Tocantins e Maranhão enfrentam maior risco devido às chuvas irregulares.
A definição da janela de semeadura será crucial para determinar o nível de
investimento no milho safrinha.
Com a melhora da relação de troca milho–fertilizantes, produtores que
plantaram soja mais cedo podem ampliar a área da segunda safra, observa o
banco. No front das exportações, o Brasil embarcou 6,5 milhões de
toneladas em outubro, acima do volume de igual mês de 2024, mas abaixo
de setembro. De fevereiro a outubro, os embarques alcançaram 26,2
milhões de toneladas, alta de 1,3% na comparação anual. O line-up de
novembro prevê 5,8 milhões de toneladas, elevando o total comprometido a
32,7 milhões de toneladas. Para que o país alcance a meta de 42 milhões de
toneladas exportadas na safra 2024/25, seria necessário embarcar mais de
4,5 milhões de toneladas por mês em dezembro e janeiro — um cenário que
o Itaú BBA avalia como pouco provável. A comercialização lenta, a menor
competitividade internacional e preços internos acima da paridade de
exportação devem elevar o estoque de passagem da safra.
Fonte: Conab, USDA, Secex, Itaú BBA