O mercado brasileiro de milho deve seguir sustentado no curto prazo,
impulsionado pela demanda das indústrias de ração e etanol, afirma Yedda
Monteiro, analista da Biond Agro. Mesmo com a perda de ritmo das
exportações, o consumo interno mantém os preços firmes, em um momento
em que o produtor foca no plantio e reduz a oferta ao mercado. Segundo
Yedda, a sustentação não vem do exterior — prejudicado por um câmbio
menos favorável —, mas das compras domésticas para formação de estoques.
Ela destaca, porém, uma aparente desconexão: “As usinas dizem estar bem
abastecidas, mas os preços seguem firmes no interior. Em algum momento,
um dos lados terá de ceder.” Para a analista, o atraso do plantio da soja só
preocupa pela possível semeadura tardia da safrinha. “Se houver problema lá
na frente, o primeiro contrato a reagir é o janeiro”, afirma. Na B3, ela vê um
mercado lateral no curtíssimo prazo, com atenção aos vencimentos de
dezembro e janeiro, meses de menor oferta. Yedda espera manutenção desse
padrão: exportações perdendo força e mercado interno
consumindo
estoques. Até o fim do ano, projeta uma B3 estável, com ajustes pontuais
conforme a oferta e o ritmo das compras.
No Paraná, Luiz Carlos Pacheco (TF Agroeconômica) diz que a retomada
das exportações de frango à China anima a demanda das fábricas de ração. A
saca é negociada a R$ 68,26 CIF, enquanto vendedores pedem acima de R$ 70
— valores próximos ao custo médio de produção, estimado em R$ 74. Para a
safra 2025/26, ainda não há movimento relevante. Em Sorriso (MT), Felipe
Hasse (Basis Agro) relata preços estáveis há semanas, sustentados pelas
usinas de etanol. Tradings oferecem R$ 51/saca FOB para dezembro. A partir
de janeiro, o foco migra para a soja, reduzindo as vendas de milho, mas Hasse
acredita em retomada entre março e abril, com boas oportunidades ao
produtor. Na safra 2025/26, cerca de 30% já foi negociado; usinas indicam R$
48,50/saca, enquanto vendedores pedem R$ 51.
A Conab estimou a produção total de milho 2025/26 em 138,8 milhões
de toneladas, queda de 1,6% ante o ciclo anterior. A primeira safra avança
com 47,7% da área plantada, mas enfrenta atraso inicial em SC e RS e
possíveis impactos de granizo no Paraná.
Na B3, o novembro fechou a R$ 67,75/saca (-R$ 0,14). O indicador
Cepea/Esalq
subiu
para
R$
67,46/saca
(+0,15%),
equivalente
a
US$
12,73/saca.
Fonte: Estadão, Angelo Ikeda
Fonte: Estadão