A soja negociada na Bolsa de Chicago (CBOT) pode recuar para US$ 10
por bushel até o final do inverno americano (fevereiro–março), pressionada
pelo aumento dos estoques nos Estados Unidos e pela forte oferta brasileira.
A avaliação é do economista Dan Basse e do analista Ben Buckner, da
consultoria AgResource, em transmissão realizada nesta segunda-feira após a
divulgação do relatório mensal de oferta e demanda (Wasde) do USDA.
Segundo Basse, a combinação entre vendas externas lentas e descontos
agressivos do produto brasileiro tende a elevar ainda mais os estoques
americanos. “Se as vendas seguirem fracas e o USDA reduzir as compras da
China, chegamos a 470 milhões de bushels (12,8 milhões de toneladas) de
estoques finais, uma relação estoque-uso de cerca de 11,4%. Isso leva o
mercado de volta a US$ 10”, afirmou.
O USDA atualmente projeta 290 milhões de bushels (7,9 milhões de
toneladas) de estoques finais, com relação estoque-uso de 6,7%. A
AgResource, no entanto, trabalha com importações chinesas menores — 12
milhões de toneladas, contra 15 a 16 milhões estimadas pelo USDA. “Ainda
não há evidências de que a China esteja comprando soja americana”, disse
Basse, destacando que as compras chinesas seguem concentradas no Brasil,
com três carregamentos negociados para dezembro na sexta-feira e novas
ofertas nesta segunda para embarque em janeiro. Basse também observou
que o mercado brasileiro recuou mais 10 centavos na sexta-feira, enquanto
Chicago caiu 20 centavos, refletindo a pressão dos produtores ainda
vendedores da safra velha. Embora o USDA tenha elevado a projeção para a
safra brasileira 2024/25 para 171,5 milhões de toneladas, a AgResource
estima algo próximo de 174 milhões. “O produtor brasileiro ainda tem mais
grãos da safra passada para vender”, afirmou.
Fonte: Estadão
Buckner acrescentou que a contagem recorde de mais de 2 mil vagens por
metro quadrado nos Estados Unidos limita a possibilidade de surpresas
positivas na produtividade. “Se tivesse chovido no fim de agosto ou início de
setembro, estaríamos falando de 57 ou 58 bushels por acre, algo como 3,8 a
3,9 t/ha. Não há dúvida pela contagem de vagens, mas o peso ficou abaixo”,
explicou. A consultoria espera que o USDA mantenha o rendimento
americano próximo de 53 bushels por acre (cerca de 3,56 t/ha), com apenas
ajustes marginais até o relatório final de janeiro.
Em relação ao clima na América do Sul, Basse afirmou que não há
problemas significativos no momento. “Com 3.700 quilômetros do norte ao
sul do Brasil, sempre haverá alguma região com dificuldade — isso ocorre
todos os anos”, comentou. As previsões para as próximas duas semanas
indicam chuvas intensas no norte e centro do Brasil, enquanto Argentina e
Sul do Brasil devem ter tempo mais seco e ensolarado, condição
considerada ideal para o desenvolvimento das lavouras nesses locais.
Buckner destacou ainda que Mato Grosso já concluiu o plantio, o que coloca
as primeiras colheitadeiras em campo entre o final de dezembro e o início de
janeiro. “Estamos a cerca de 50 dias da chegada da nova safra brasileira”,
disse.
Fonte: Estadão